Continuando a série de artigos sobre análise de riscos, hoje vamos falar sobre os riscos biológicos. Segundo a NR-32, eles são microrganismos, parasitas ou materiais originados de organismos que, em função de sua natureza e do tipo de exposição, são capazes de acarretar lesão ou agravo à saúde do trabalhador.
Alguns exemplos são: bactéria Bacillus anthracis, vírus linfotrópico da célula T humana, príon agente de doença de Creutzfeldt-Jakob, fungo Coccidioides immitis e até mesmo o Sars-Cov-2 (COVID-19), que será o nosso caso da semana.
Identificação dos riscos biológicos
Então, quando falamos em construção do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), a primeira fase de identificação é realizar o PDCA, de forma com que os profissionais de Segurança e Saúde do Trabalho façam uma vistoria e avaliem de forma qualitativa se existe o perigo biológico Sars-Cov-2.
Os trabalhadores podem estar expostos a bioaerossois infecciosos (Sars-Cov-2), cujos danos ou agravos à saúde incluem sintomas de gripe, angústia respiratória aguda e até morte.
Além disso, neste caso, é necessário observar quais são as medidas de controle existentes e o que outros documentos de SST falam sobre este agente biológico. Dessa forma, há a entrada de um perigo não identificado e a saída de um risco identificado: agente biológico Sars-Cov-2.
Matriz de risco
Depois da identificação dos riscos biológicos, passamos para a planificação, que classifica a severidade e a probabilidade, para então resultar no nível do risco. Primeiramente, a etapa da severidade analisa a magnitude da consequência (possíveis lesões à saúde do trabalhador) e o número de trabalhadores expostos ao risco biológico.
A seguir, passamos para a probabilidade, em que fazemos a comparação da exposição com a NR-9. Porém, como o caso específico do Sars-Cov-2 não tem parâmetros qualitativos ou quantitativos para avaliação dos agentes biológicos pela norma, recomendamos o uso da ACGIH 2019, que define os locais de trabalho e as atividades com exposição a bioaerossois infecciosos.
Em seguida, avaliamos as medidas de controle coletivas e individuais existentes, tais como biombos de acrílico no local de trabalho e uso de máscaras, luvas e face shield. Também classificamos os fatores específicos das exigências da atividade de trabalho.
Por fim, avaliamos a incidência, um fator complementar da magnitude da consequência e a porcentagem de trabalhadores expostos, chegando à classificação da probabilidade. Só então encontramos o nível de risco.
Controle dos riscos biológicos
Depois da avaliação correta dos riscos biológicos, passamos para o estágio de controle. Por exemplo, se ele foi classificado como crítico, a atividade de trabalho deve ser imediatamente interrompida, e as medidas de controle devem ser implementadas antes da retomada da atividade.
Então, é preciso implementar medidas de proteção coletivas, de organização do trabalho e de proteção individual para diminuir a taxa de incidência, assim como limitação de trabalhadores expostos.
Com a queda da severidade e da probabilidade, temos uma saída de risco controlado que ainda precisa continuar com o seu monitoramento contínuo de ações de medidas de controle e prevenção. Lembrando que o objetivo é deixar a classificação do nível de risco como baixo ou irrelevante.
Em resumo, o ponto de partida para o controle do risco é um bom processo de identificação e avaliação. Depois de corretamente identificado e avaliado, as medidas de controle irão focar em reduzir a gravidade de uma possível lesão ou a probabilidade de ela acontecer.